domingo, 15 de setembro de 2013

Posts do Facebook

Utilizo o Facebook, com alguma regularidade, para partilhar pensamentos, intuições e desabafos (nunca da minha vida pessoal). Ficam aqui alguns deles para, quem sabe, um dia mais tarde recordar:

- O egoísmo é a fonte de todo o mal do mundo: guerras, atentados ambientais, competição extrema, injúrias, calúnias e todas as injustiças. Todos nascem da noção de que “eu” (por vezes “nós”) sou superior aos outros, o que é um erro. Quando nascemos não trazemos nada e nada levamos quando morremos, portanto onde está a diferença? O que tem um branco superior a um negro? Um cristão mais que um muçulmano? Um capitalista mais que um socialista? Somos todos diferentes, mas todos tão iguais… Que belo seria se o mundo compreendesse isto!

- Há na nossa sociedade uma tendência mesquinha de bajulação... A verdade é que ninguém merece um tratamento especial: nem o sr. doutor, nem o sr engenheiro, nem o excelentíssimo meretissimo... o que é que são mais do que um pedinte?. "Estudaram" dizem alguns. Mas o que é que eles sabem? Uma gota no oceano infinito do conhecimento... Por muito que saibamos, a verdade é que nunca sabemos nada. Somos TODOS iguais!

- Coisa bonita as Universidades de Verão... Na do PSD fala-se mal do PS e na do PS fala-se mal do PSD. Grandes exemplos que estão a dar aos pupilos! Desta forma, não tenho duvidas, Portugal tem o futuro assegurado.

- Os governantes (todos: das juntas de freguesia ao governo) sofrem do mesmo mal que eu: miopia! Mas, enquanto a minha está nos olhos, a desses senhores está no pensamento... Como se justifica que a aposta tenha sido sempre nas infra-estruturas e nunca no capital humano, verdadeiro gerador de riqueza e de desenvolvimento social? A resposta é simples: eleições.
Enquanto não deixarmos de lado esta pequenez de pensamento nunca seremos uma nação próspera...

- Já partilhei mas volto a fazê-lo... Existe uma máfia... um polvo cujos tentáculos se estendem da esquerda à direita, das grandes empresas aos reguladores. É esse polvo que desde há mais de cem anos vem governando o país em proveito próprio.Para que servem tantas autoestradas? Tantos projetos megalómanos? Tantas fundações e observatórios? Quem tem realmente beneficiado com tudo isso?... É chegada a altura de tirar a máscara a esses mercadores do bem-estar alheio e fundar um Portugal justo e próspero!

- Senhores políticos de todos os quadrantes:Estou farto das vossas tretas de direita e de esquerda! Estou farto das vossas promessas! Farto de mentiras! Está na altura de deixar de parte as quezílias e os joguinhos de poder e de se assumirem como verdadeiros Homens e Mulheres! Está na altura de se unirem, pensarem no país e não nos vossos egos doentes...Portugal precisa, mais que nunca, de uma estratégia global e concertada que tire este país do buraco causado por décadas de má governação. Portugal precisa, neste momento, de todos nós!

- A Noruega teve este ano um excedente orçamental de 13,8% do PIB, em contraste com a maioria dos outros paises que devido à crise têm, na generalidade, deficits bastante significativos. O excedente Norueguês deve-se principalmente às receitas do petróleo... A posse de recursos naturais como o petróleo e o gás natural subvertem completamente a lógica de funcionamento da concorrência ao nível internacional. Os países com tais recursos podem dar-se ao luxo de serem pouco competitivos e esbanjadores de dinheiro (o que não é o caso da Noruega) que, no final de contas, as suas finanças são sempre saudáveis. Na verdade, estes países sugam o suor e o trabalho de outros que não possuem estes recursos energéticos.Por este motivo torna-se necessário olhar para um mundo pós-carbono, em que predominam energias limpas e onde a riqueza de cada país possa ser determinada por aquilo que produz e não pela benção de ter recursos energéticos.

- Normalmente, nas intervenções do FMI a paises com dificuldades de financiamento, a receita passa por austeridade e por um perdão parcial de dívida. Na Europa só se aplicou o primeiro elemento. O problema é que as economias, carregadas de austeridade, não conseguem libertar meios para amortizar a dívida e acabam por se endividar ainda mais... isto torna-se numa autêntica bola de neve. A divida pública portuguesa já vai em mais de 120% do PIB. Onde é que isto vai parar?

- Não gosto da compartimentalização do conhecimento! Cada vez mais há gente especializada para isto e para aquilo... como consequência os técnicos perdem a visão da totalidade, do conjunto, tendem a focar-se na árvore em vez de se focarem na floresta. Como escreveu alguém certo dia: "os técnicos sabem cada vez mais sobre menos... virá o dia em que saberão tudo sobre nada!". Um viva ao ecletismo!

- Às vezes perguntam-me se sou de direita ou de esquerda… e eu respondo: não sou de nenhum! Impuseram às pessoas uma falsa dicotomia, uma escolha entre o sistema capitalista e o socialista, ambos comprovadamente FALHADOS! As pessoas precisam da economia e a economia precisa das pessoas, não há volta a dar! O único sistema político merecedor de confiança não se encontra à esquerda ou à direita, encontra-se, fundamentalmente, no BOM SENSO dos decisores políticos, na capacidade destes em SERVIR ao invés vez de serem servidos e de defender, sempre e acima de tudo, o INTERESSE COLETIVO.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Qual é a natureza do Universo?

Desde há milénios que grandes pensadores se debruçam sobre este tema e no entanto ainda não se conseguiu chegar a um consenso. Existem basicamente três posições dominantes: monismo idealista (vulgo idealismo), monismo materialista (vulgo materialismo) e dualismo. Não as pretendo analisar exaustivamente nem dizer qual alguma delas é a verdadeira, até porque nunca cheguei a nenhuma conclusão.
O materialismo parte da premissa de que tudo o que existe no Universo é matéria. Para esta corrente o constituinte básico da realidade são os átomos (em toda a sua complexidade, abarcando as partículas sub-atómicas) e nada existe de espiritual ou “mágico”. O materialismo está entranhado no atual paradigma científico e tem servido de base à maior parte do sucesso que a ciência tem tido ao longo dos últimos tempos. Recentemente têm havido tentativas de explicar a consciência como uma ilusão resultante da interação dos neurónios, que por sua vez são entendidos como agregados de proteínas, que são agregados de moléculas, que por sua vez são agregados de átomos. A esta redução de uma realidade psicológica a uma realidade física designamos por Reducionismo, um conceito estreitamente ligado ao materialismo.
O idealismo advoga a existência de apenas um princípio no universo: a consciência. É através desta que percebemos o mundo e, portanto, também a matéria é apenas “um disfarce”. O Budismo e o Jainismo, por exemplo, são duas religiões idealistas ao afirmarem que esta está em toda a parte: nos animais, nas plantas, nas rochas e até no vazio. Levando esta ideia ao extremo existe uma corrente de pensamento idealista, o solipsismo, que defende que os eventos materiais não acontecem quando não existe uma consciência (humana) a observá-los.
O dualismo, corrente filosófica começada por René Descartes, defende que existem dois princípios no universo: espirito e matéria. A matéria sem espirito é inanimada e é um agente passivo. Já o espirito é a origem da vida e é o princípio ativo do universo. A vida é uma permanente ação do espirito sobre a matéria. Para Descartes, a razão é a principal característica do espirito.
No livro “Deus não morreu”, Amit Goswami defende uma versão quântica da realidade. Para a física quântica caso não houvesse a consciência existiriam apenas possibilidades, nada de concreto portanto. É a consciência que “escolhe”, entre as possibilidades, aquela que se torna manifesta e portanto é este o principal agente universal. Se, por exemplo, um relógio se encontrasse isolado de toda a gente os seus ponteiros não se moveriam… apenas quando uma consciência o vislumbrasse os ponteiros assumiriam a hora do momento. Isto implica uma ação de retro-causalidade, ou seja, no momento em que a consciência colapsa as possibilidades numa realidade concreta, são “inscritos” no passado todos os movimentos que os ponteiros tiveram até ao momento presente.
Ainda em relação à física quântica também há quem defenda que existe uma consciência cósmica que se encarrega de escolher, de entre todas as possibilidades, aquela que se manifesta.
Esta nova visão do mundo trazida pela física quântica desafia o atual paradigma cientifica materialista. O primado da consciência começa a substituir o primado da matéria. Aonde vamos chegar? Não sei… mas será certamente uma guerra saudável.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Vestígios materiais da governação

A educação é o fator que mais contribui para o progresso social e económico de uma sociedade. Por esta razão são ganhadoras as estratégias em que o capital humano é a pedra basilar do desenvolvimento.
Não creio que as Câmaras Municipais devam restringir as suas atividades à construção de infra-estruturas. A aposta na educação dos seus cidadãos, principalmente das suas crianças e jovens, é muito mais importante. Infelizmente parece que quase ninguém neste país quer ver isso…
Andamos todos iludidos com os “vestígios materiais da governação”: uma rotunda, um pavilhão, um bocado de asfalta à porta de casa. Estes sim, são os nossos verdadeiros critérios de decisão dos quando confrontados com um sufrágio. Não é que tenhamos grande escolha já que, por norma, todos os proponentes baseiam as suas campanhas em promessas de construção. Porém, de que serve alguém ter um Ferrari se apenas está habilitado a conduzir motorizadas? Para quê ter o computador mais avançado se o nosso sistema operativo é o MS-DOS?
Há uma grande razão pela qual não se aposta verdadeiramente na educação: é que esta é perigosa para os políticos! A ignorância do povo é conveniente porque desta forma este é mais facilmente impressionável pelas obras de fachada do que um povo educado.
Se olharmos para os países Escandinavos, referências em termos de desenvolvimento, vemos que as Câmaras Municipais têm como principal prioridade a educação. Porque é que as elites do nosso país não fazem um esforço para adaptar este modelo? É difícil mas não é impossível!

domingo, 14 de julho de 2013

Assunção Esteves e a notícia do Tugaleaks – A emoção travestida de razão

Surgiu hoje (14/07/2013) na página do Facebook da “Tugaleaks” um artigo (http://www.tugaleaks.com/assuncao-esteves.html) sobre a presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, que demonstra o quanto as emoções podem perturbar a racionalidade que se exige a quem escreve para um grande número de leitores.
O artigo é escrito num tom completamente acusatório e tenho a certeza que quem o escreveu não parou um pouco para pensar, deixando-se entregar totalmente numa torrente de emoções.
No post do Facebook começa-se por dizer que a dita senhora “não é uma santa”. Eu pergunto: Quem é “santo”? Quem nunca errou? Certamente não há nem nunca houve ninguém cuja vida se pautasse por uma total observância dos mais elevados princípios morais… é tão óbvio que qualquer pessoa, pensando um pouco, chega a esta conclusão.
No artigo refere-se o facto de a senhora ter uma reforma devida ao período de 10 anos de trabalho no tribunal constitucional. Também se refere que recebe um ordenado astronómico. Isto é completamente verdade! Não existe nenhuma razão que justifique o facto de se pagarem reformas ao fim de tão poucos anos de trabalho. Também é revoltante ver pessoas ganharem tanto dinheiro à custa de todos nós. Mas eu pergunto: Que culpa é que a senhora tem de a lei ser como é? É a única nestas circunstâncias? Se nos oferecessem as mesmas condições, algum de nós recusaria?
Também se afirma que ela teve atropelou uma senhora numa passadeira. Mas isto não pode acontecer a qualquer pessoa? Até ao mais bem-intencionado dos seres?
Não estou a defender a Assunção Esteves pois para mim é tão boa como qualquer um dos restantes políticos… Acho até que esteve muito mal no episódio em que tratou os manifestantes que estavam na AR com uma ira vergonhosa para alguém que ocupa tal cargo. Porém, não consigo concordar com as pessoas que escrevem artigos cujo objetivo parece ser apenas exteriorizar a sua raiva em relação a alguém.
A indignação é algo muito positivo e é saudável que as pessoas a demonstrem por via da palavra, das manifestações e outros atos. Já o ódio não leva a lado nenhum. Quem odeia prova não ser melhor do que o destinatário do seu ódio.
Por isso eu lanço um repto: indignemo-nos, revoltemo-nos contra o atual sistema, deitemo-lo abaixo, restauremos a nossa autonomia e dignidade enquanto nação e criemos um Portugal melhor. Porém, não o façamos com base em rancores pessoais senão não faremos mais do que derrubar um sistema para implementar outro com pessoas diferentes mas igual em tudo o resto.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

A impostura das marcas

Recordo-me das aulas de marketing que tive ao longo do meu percurso académico… Uma das matérias que mais entusiasmavam os pupilos eram as marcas. Com efeito, elas dominam grande parte das nossas vidas: estão na internet, na rádio, na TV, nos jornais e agora até nos telemóveis e tablets. Têm a pretensão de ser ubíquas, uma presença constante na vida dos consumidores. Porém, nem sempre foi assim já que as marcas tiveram um nascimento bem mais modesto, vivendo durante muitos séculos sob a forma de pregões, semelhantes aos que podemos ouvir ainda hoje nas feiras e nas lotas.
Uma marca pode ser definida como um símbolo (visual ou auditivo) utilizado para identificar um empresa/produto e distingui-la(lo) das(os) demais. Contudo, a necessidade de distinção tornou-se numa psicose esquizofrénica em que a realidade se mescla com a ficção. A loucura tomou conta das marcas e contaminou a população!
“Loucura!?” – pode pensar o leitor. Será assim tão grave? Sim! Senão vejamos: muitas marcas prometem o que não podem nem nunca poderão cumprir. Vendem ilusões, enganam as pessoas e fazem-nas correr atrás de uma ideia de felicidade instantânea que nunca poderão atingir. Vejamos alguns exemplos:
Alguns refrigerantes prometem a felicidade a todos os que a consumirem. Mas, afinal, que raio é que uma bebida tem a ver com felicidade!? Há alguém que consiga vislumbrar uma ligação? No mínimo os consumidores frequentes de bebidas gaseificadas devem é rezar para não ganharem uma gastrite ou ulceras no estomago. Portanto, a ligação é absurda e enganadora.
Várias marcas de champôs vendem a ilusão da beleza. A ideia é a seguinte: lave o seu cabelo com o champô x, y ou z e será tão bonita quanto a modelo deste anúncio. Outro disparate: o champô da marca x não a deixa mais bonita do que o da marca y. A única função que esse produto tem é lavar o cabelo, tirar a sujidade. Não pode fazer mais do que isso, mesmo que unte o seu corpo todo de champô.
As marcas das instituições de crédito ao consumo vendem a ideias de liberdade e realização pessoal. Outra grande ilusão! Primeiro porque o crédito não o deixará mais livre, bem pelo contrário e segundo porque a realização pessoal nunca advém da posse de um qualquer bem material já que o prazer que tiramos do mesmo se esbate ao longo do tempo.
As marcas criam valor, mas é um valor falso! Quais são as diferenças entre uns ténis de uma qualquer marca de prestígio e os mesmos ténis sem marca? Nenhumas! E no entanto o preço não deixa de ser astronomicamente diferente.
Por muito amigáveis que nos possam parecer as marcas têm apenas um objetivo: escravizar o consumidor. Não podemos esperar que surja uma instituição ou alguém que nos diga como devemos fazer, em que marcas podemos confiar e quais aquelas em que não. Tem que ser cada um de nós a desafiar os seus preconceitos e ver o mundo tal qual ele é!

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Os genes definem a forma de um organismo?

A biologia molecular defende que a forma de um qualquer organismo está contida no seu DNA. Sendo assim, seria de esperar que neste momento em que tantos milhares de milhões de Euros foram gastos em investigação nesta área fosse possível encontrar alguns genes que determinassem a forma de uma qualquer estrutura corporal, como por ex. a forma do nariz (redondo, achatado, pontiagudo…). A verdade é que esses genes ainda não foram encontrados e talvez nem existam…
O biólogo Rupert Sheldrake no seu recente livro “The Science Delusion” dá o exemplo de uma alga unicelular chamada Acetabularia. Esta alga, que pode atingir os 10cm, é constituída por três partes principais: os rizinoides (uma espécie de raízes onde se encontra o núcleo da célula), o caule e o chapéu. O que esta alga tem de especial é o facto de caso lhe retiremos o núcleo e depois lhe cortemos o chapéu, ela consegue regenerar-se e formar um chapéu novo, mesmo na ausência de material genético.
Este facto é um autêntico quebra-cabeças para qualquer especialista em biologia molecular. Como é que se pode restaurar uma parte da alga sem o “livro de instruções”?
Rupert Sheldrake tem uma teoria para responder a este desafio, chama-se “teoria dos campos morfogenéticos”. Esta teoria advoga que todos os seres vivos são portadores de um campo virtual que determina a forma de qualquer ser vivo. Esse campo, que transcende a dimensão espacial, deriva dos campos de seres anteriores da mesma espécie e é reforçado com a reprodução das espécies, sendo um campo de uma espécie recente muito menos estável do ponto de vista morfológico do que um campo mais antigo. Isto não quer dizer que os genes não interfiram no processo morfológico, já que são responsáveis pela sintetização dos aminoácidos necessários para a formação de proteínas, quer dizer apenas que os genes são responsáveis pela criação dos blocos, mas não da forma como estes estão dispostos.
A teoria dos campos morfogenéticos também se aplica aos comportamentos e aos grupos. Rupert Sheldrake afirma no seu livro “A New Science of Life”, fundamentadamente, que por ex. o tempo que um conjunto de ratos demora a ultrapassar um determinado problema tende a diminuir com o passar do tempo, mesmo em experiências independentes realizadas em dois extremos distintos do planeta. Ou seja, caso um grupo de ratos seja confrontado com uma situação problemática na Austrália, demorará mais tempo a resolve-la do que outro conjunto de ratos que sejam confrontados com a mesma situação uma semana depois na Inglaterra.
A ciência, como tudo o resto, está em constante mudança, evolução. As verdades de ontem são os erros de hoje e quem sabe se as verdades de hoje não serão os erros de amanhã. Portanto eu encaro com satisfação os dissidentes, aqueles que pensam fora dos limites impostos pelas ortodoxias, que exploram florestas virgens e navegam por águas nunca d’antes navegadas.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Quem sou eu?

Não me defino. Por mais que busque, as palavras não são suficientes: são vagas, temporárias e carregam o selo da ilusão. Não posso dizer que sou forte e corajoso da mesma maneira que não afirmo ser fraco e medroso. Equiparo-me ao vento: umas vezes sopra para norte, outras sacode para sul… Lembro-me de ter sido aplaudido entusiasticamente da mesma forma que me lembro de ter sido humilhado publicamente. Afinal qual deles sou eu? O forte ou o fraco? O bom ou o mau? Já fui todos eles... e no entanto ninguém pode ser definido por uma antítese.
Como pode alguém ser, tal como diz o poeta, charco e luar refletido num charco ao mesmo tempo? O sublime e o horrendo simultaneamente?
Vejo por isso, que nenhum atributo me pode definir… Gosto de me ver como um espelho: reflete as mais variadas figuras, uma infinidade de formas, porém, a sua natureza não se confunde com os seus reflexos. A minha natureza é única, indizível, inefável e não tenho necessidade de a definir. Por isso não sei quem sou e, sinceramente, não estou interessado em saber!