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quarta-feira, 18 de setembro de 2013
As dimensões do pensamento político
O pensamento político é normalmente concebido de forma unidimensional. É como uma reta em que definimos o zero e depois só podemos andar para a direita ou para a esquerda… é, portanto um pensamento limitado. Há quem consiga ver para além da dicotomia – direita, esquerda – mas mantenha a ideia de que só há uma maneira de organização social. Chamo a esta forma o pensamento bidimensional. Porém, tal como na realidade física, também na realidade mental não é possível haver um salto sem uma terceira dimensão. São precisamente os saltos que proporcionam a criatividade, já que esta não obedece a uma evolução linear. A boa atividade política precisa de criatividade… Seguindo esta linha de pensamento sou forçado a concluir que a liberdade politica tem infinitas dimensões, tantas quantas as dimensões do espirito humano. Portanto, a limitação da atividade política é apenas definida em função da limitação do pensamento de quem a concebe.
domingo, 15 de setembro de 2013
Posts do Facebook
Utilizo o Facebook, com alguma regularidade, para partilhar pensamentos, intuições e desabafos (nunca da minha vida pessoal). Ficam aqui alguns deles para, quem sabe, um dia mais tarde recordar:
- O egoísmo é a fonte de todo o mal do mundo: guerras, atentados ambientais, competição extrema, injúrias, calúnias e todas as injustiças. Todos nascem da noção de que “eu” (por vezes “nós”) sou superior aos outros, o que é um erro. Quando nascemos não trazemos nada e nada levamos quando morremos, portanto onde está a diferença? O que tem um branco superior a um negro? Um cristão mais que um muçulmano? Um capitalista mais que um socialista? Somos todos diferentes, mas todos tão iguais… Que belo seria se o mundo compreendesse isto!
- Há na nossa sociedade uma tendência mesquinha de bajulação... A verdade é que ninguém merece um tratamento especial: nem o sr. doutor, nem o sr engenheiro, nem o excelentíssimo meretissimo... o que é que são mais do que um pedinte?. "Estudaram" dizem alguns. Mas o que é que eles sabem? Uma gota no oceano infinito do conhecimento... Por muito que saibamos, a verdade é que nunca sabemos nada. Somos TODOS iguais!
- Coisa bonita as Universidades de Verão... Na do PSD fala-se mal do PS e na do PS fala-se mal do PSD. Grandes exemplos que estão a dar aos pupilos! Desta forma, não tenho duvidas, Portugal tem o futuro assegurado.
- Os governantes (todos: das juntas de freguesia ao governo) sofrem do mesmo mal que eu: miopia! Mas, enquanto a minha está nos olhos, a desses senhores está no pensamento... Como se justifica que a aposta tenha sido sempre nas infra-estruturas e nunca no capital humano, verdadeiro gerador de riqueza e de desenvolvimento social? A resposta é simples: eleições.
Enquanto não deixarmos de lado esta pequenez de pensamento nunca seremos uma nação próspera...
- Já partilhei mas volto a fazê-lo... Existe uma máfia... um polvo cujos tentáculos se estendem da esquerda à direita, das grandes empresas aos reguladores. É esse polvo que desde há mais de cem anos vem governando o país em proveito próprio.Para que servem tantas autoestradas? Tantos projetos megalómanos? Tantas fundações e observatórios? Quem tem realmente beneficiado com tudo isso?... É chegada a altura de tirar a máscara a esses mercadores do bem-estar alheio e fundar um Portugal justo e próspero!
- Senhores políticos de todos os quadrantes:Estou farto das vossas tretas de direita e de esquerda! Estou farto das vossas promessas! Farto de mentiras! Está na altura de deixar de parte as quezílias e os joguinhos de poder e de se assumirem como verdadeiros Homens e Mulheres! Está na altura de se unirem, pensarem no país e não nos vossos egos doentes...Portugal precisa, mais que nunca, de uma estratégia global e concertada que tire este país do buraco causado por décadas de má governação. Portugal precisa, neste momento, de todos nós!
- A Noruega teve este ano um excedente orçamental de 13,8% do PIB, em contraste com a maioria dos outros paises que devido à crise têm, na generalidade, deficits bastante significativos. O excedente Norueguês deve-se principalmente às receitas do petróleo... A posse de recursos naturais como o petróleo e o gás natural subvertem completamente a lógica de funcionamento da concorrência ao nível internacional. Os países com tais recursos podem dar-se ao luxo de serem pouco competitivos e esbanjadores de dinheiro (o que não é o caso da Noruega) que, no final de contas, as suas finanças são sempre saudáveis. Na verdade, estes países sugam o suor e o trabalho de outros que não possuem estes recursos energéticos.Por este motivo torna-se necessário olhar para um mundo pós-carbono, em que predominam energias limpas e onde a riqueza de cada país possa ser determinada por aquilo que produz e não pela benção de ter recursos energéticos.
- Normalmente, nas intervenções do FMI a paises com dificuldades de financiamento, a receita passa por austeridade e por um perdão parcial de dívida. Na Europa só se aplicou o primeiro elemento. O problema é que as economias, carregadas de austeridade, não conseguem libertar meios para amortizar a dívida e acabam por se endividar ainda mais... isto torna-se numa autêntica bola de neve. A divida pública portuguesa já vai em mais de 120% do PIB. Onde é que isto vai parar?
- Não gosto da compartimentalização do conhecimento! Cada vez mais há gente especializada para isto e para aquilo... como consequência os técnicos perdem a visão da totalidade, do conjunto, tendem a focar-se na árvore em vez de se focarem na floresta. Como escreveu alguém certo dia: "os técnicos sabem cada vez mais sobre menos... virá o dia em que saberão tudo sobre nada!". Um viva ao ecletismo!
- Às vezes perguntam-me se sou de direita ou de esquerda… e eu respondo: não sou de nenhum! Impuseram às pessoas uma falsa dicotomia, uma escolha entre o sistema capitalista e o socialista, ambos comprovadamente FALHADOS! As pessoas precisam da economia e a economia precisa das pessoas, não há volta a dar! O único sistema político merecedor de confiança não se encontra à esquerda ou à direita, encontra-se, fundamentalmente, no BOM SENSO dos decisores políticos, na capacidade destes em SERVIR ao invés vez de serem servidos e de defender, sempre e acima de tudo, o INTERESSE COLETIVO.
- O egoísmo é a fonte de todo o mal do mundo: guerras, atentados ambientais, competição extrema, injúrias, calúnias e todas as injustiças. Todos nascem da noção de que “eu” (por vezes “nós”) sou superior aos outros, o que é um erro. Quando nascemos não trazemos nada e nada levamos quando morremos, portanto onde está a diferença? O que tem um branco superior a um negro? Um cristão mais que um muçulmano? Um capitalista mais que um socialista? Somos todos diferentes, mas todos tão iguais… Que belo seria se o mundo compreendesse isto!
- Há na nossa sociedade uma tendência mesquinha de bajulação... A verdade é que ninguém merece um tratamento especial: nem o sr. doutor, nem o sr engenheiro, nem o excelentíssimo meretissimo... o que é que são mais do que um pedinte?. "Estudaram" dizem alguns. Mas o que é que eles sabem? Uma gota no oceano infinito do conhecimento... Por muito que saibamos, a verdade é que nunca sabemos nada. Somos TODOS iguais!
- Coisa bonita as Universidades de Verão... Na do PSD fala-se mal do PS e na do PS fala-se mal do PSD. Grandes exemplos que estão a dar aos pupilos! Desta forma, não tenho duvidas, Portugal tem o futuro assegurado.
- Os governantes (todos: das juntas de freguesia ao governo) sofrem do mesmo mal que eu: miopia! Mas, enquanto a minha está nos olhos, a desses senhores está no pensamento... Como se justifica que a aposta tenha sido sempre nas infra-estruturas e nunca no capital humano, verdadeiro gerador de riqueza e de desenvolvimento social? A resposta é simples: eleições.
Enquanto não deixarmos de lado esta pequenez de pensamento nunca seremos uma nação próspera...
- Já partilhei mas volto a fazê-lo... Existe uma máfia... um polvo cujos tentáculos se estendem da esquerda à direita, das grandes empresas aos reguladores. É esse polvo que desde há mais de cem anos vem governando o país em proveito próprio.Para que servem tantas autoestradas? Tantos projetos megalómanos? Tantas fundações e observatórios? Quem tem realmente beneficiado com tudo isso?... É chegada a altura de tirar a máscara a esses mercadores do bem-estar alheio e fundar um Portugal justo e próspero!
- Senhores políticos de todos os quadrantes:Estou farto das vossas tretas de direita e de esquerda! Estou farto das vossas promessas! Farto de mentiras! Está na altura de deixar de parte as quezílias e os joguinhos de poder e de se assumirem como verdadeiros Homens e Mulheres! Está na altura de se unirem, pensarem no país e não nos vossos egos doentes...Portugal precisa, mais que nunca, de uma estratégia global e concertada que tire este país do buraco causado por décadas de má governação. Portugal precisa, neste momento, de todos nós!
- A Noruega teve este ano um excedente orçamental de 13,8% do PIB, em contraste com a maioria dos outros paises que devido à crise têm, na generalidade, deficits bastante significativos. O excedente Norueguês deve-se principalmente às receitas do petróleo... A posse de recursos naturais como o petróleo e o gás natural subvertem completamente a lógica de funcionamento da concorrência ao nível internacional. Os países com tais recursos podem dar-se ao luxo de serem pouco competitivos e esbanjadores de dinheiro (o que não é o caso da Noruega) que, no final de contas, as suas finanças são sempre saudáveis. Na verdade, estes países sugam o suor e o trabalho de outros que não possuem estes recursos energéticos.Por este motivo torna-se necessário olhar para um mundo pós-carbono, em que predominam energias limpas e onde a riqueza de cada país possa ser determinada por aquilo que produz e não pela benção de ter recursos energéticos.
- Normalmente, nas intervenções do FMI a paises com dificuldades de financiamento, a receita passa por austeridade e por um perdão parcial de dívida. Na Europa só se aplicou o primeiro elemento. O problema é que as economias, carregadas de austeridade, não conseguem libertar meios para amortizar a dívida e acabam por se endividar ainda mais... isto torna-se numa autêntica bola de neve. A divida pública portuguesa já vai em mais de 120% do PIB. Onde é que isto vai parar?
- Não gosto da compartimentalização do conhecimento! Cada vez mais há gente especializada para isto e para aquilo... como consequência os técnicos perdem a visão da totalidade, do conjunto, tendem a focar-se na árvore em vez de se focarem na floresta. Como escreveu alguém certo dia: "os técnicos sabem cada vez mais sobre menos... virá o dia em que saberão tudo sobre nada!". Um viva ao ecletismo!
- Às vezes perguntam-me se sou de direita ou de esquerda… e eu respondo: não sou de nenhum! Impuseram às pessoas uma falsa dicotomia, uma escolha entre o sistema capitalista e o socialista, ambos comprovadamente FALHADOS! As pessoas precisam da economia e a economia precisa das pessoas, não há volta a dar! O único sistema político merecedor de confiança não se encontra à esquerda ou à direita, encontra-se, fundamentalmente, no BOM SENSO dos decisores políticos, na capacidade destes em SERVIR ao invés vez de serem servidos e de defender, sempre e acima de tudo, o INTERESSE COLETIVO.
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
Vestígios materiais da governação
A educação é o fator que mais contribui para o progresso
social e económico de uma sociedade. Por esta razão são ganhadoras as
estratégias em que o capital humano é a pedra basilar do desenvolvimento.
Não creio que as Câmaras Municipais devam restringir as suas
atividades à construção de infra-estruturas. A aposta na educação dos seus
cidadãos, principalmente das suas crianças e jovens, é muito mais importante. Infelizmente
parece que quase ninguém neste país quer ver isso…
Andamos todos iludidos com os “vestígios materiais da
governação”: uma rotunda, um pavilhão, um bocado de asfalta à porta de casa.
Estes sim, são os nossos verdadeiros critérios de decisão dos quando
confrontados com um sufrágio. Não é que tenhamos grande escolha já que, por
norma, todos os proponentes baseiam as suas campanhas em promessas de
construção. Porém, de que serve alguém ter um Ferrari se apenas está habilitado
a conduzir motorizadas? Para quê ter o computador mais avançado se o nosso
sistema operativo é o MS-DOS?
Há uma grande razão pela qual não se aposta verdadeiramente
na educação: é que esta é perigosa para os políticos! A ignorância do povo é
conveniente porque desta forma este é mais facilmente impressionável pelas
obras de fachada do que um povo educado.
Se olharmos para os países Escandinavos, referências em
termos de desenvolvimento, vemos que as Câmaras Municipais têm como principal
prioridade a educação. Porque é que as elites do nosso país não fazem um
esforço para adaptar este modelo? É difícil mas não é impossível!
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Como se tomam decisões politicas (fictícias) em Portugal: O caso do TGV
Num mundo ideal a politica serviria para tomar as melhores
decisões possíveis de forma a maximizar o bem-estar dos cidadãos. Melhorar a
condição de vida dos cidadãos deveria ser o principal objetivo de todos os políticos,
quer o seu nível de atuação seja local, regional ou nacional.
Porém, quando observamos com atenção o panorama politico
nacional vemos que são mais os que estão nessa atividade para se servirem do
que para servirem os outros. Aquela que deveria ser uma atividade altruísta,
onde se exercitaria o prazer de se doar e de ajudar torna-se numa atividade
completamente egocêntrica, visando apenas a satisfação do ego e da carteira.No livro mais recente de José Rodrigues dos Santos, “A Mão do Diabo”, são descritas várias conversas “fictícias” (entre aspas, é claro!) entre altos dirigentes políticos e empresários.
Sobre o caso do TGV pode ler-se uma conversa entre o primeiro-ministro responsável pela decisão e um empresário a quem se chama Comendador (p. 538):
Diz o primeiro-ministro: “ (…) acontece que vamos avançar aqui com um projeto e… quero que você faça parte do consórcio. É muita massa envolvida meu caro amigo. Vai dar dinheiro para toda a gente”. Pausa. “Não, é evidente que a alta velocidade não é rentável, meu caro comendador. Também as auto-estradas não são rentáveis nem necessárias e isso não nos impediu de as fazer, pois não? Era preciso ajudar as construtoras amiguinhas e nós ajudamos, ou não ajudamos? Neste caso é o mesmo. A malta faz um contrato dos habituais, daqueles em que o estado paga para assegurar o lucro do consórcio encarregado do projeto. Será uma parceria público-privada segundo o esquema habitual, fique tranquilo”. Ainda uma pausa. “Isso, isso. Mas, oiça lá, quero um bom financiamento para o partido, ouviu? Olhe que estou a dar-lhe muito dinheiro a ganhar”.
Apesar de “fictícia” esta conversa retrata bem um dos
grandes problemas da política em Portugal: o financiamento partidário. Quem
conhece, ainda que pouco, a realidade eleitoral, sabe que muitos políticos são
capazes de fazer quase de tudo para serem eleitos… O problema é que para serem
eleitos muitos deles aceitam grandes financiamentos de empresas privadas e
depois retribuem-lhes, quando eleitos, pelas suas “generosas” ofertas, quer
seja através de concessões, elaboração de legislação favorável às empresas ou
da adjudicação de obras de forma obscura (no caso das empresas de construção).
Estou convencido de que, para deixar de ser um país da
periferia tem que haver uma diminuição acentuada da corrupção em Portugal. No
gráfico seguinte podemos verificar como países com níveis de corrupção elevados
tendem a ter economias mais débeis e vice-versa:
No livro “A Mão do Diabo” constam ainda outras conversas
muito interessantes, em relação a casos como por ex. o da compra dos
submarinos. Fica aqui um convite à leitura deste excelente livro!
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