quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Vestígios materiais da governação

A educação é o fator que mais contribui para o progresso social e económico de uma sociedade. Por esta razão são ganhadoras as estratégias em que o capital humano é a pedra basilar do desenvolvimento.
Não creio que as Câmaras Municipais devam restringir as suas atividades à construção de infra-estruturas. A aposta na educação dos seus cidadãos, principalmente das suas crianças e jovens, é muito mais importante. Infelizmente parece que quase ninguém neste país quer ver isso…
Andamos todos iludidos com os “vestígios materiais da governação”: uma rotunda, um pavilhão, um bocado de asfalta à porta de casa. Estes sim, são os nossos verdadeiros critérios de decisão dos quando confrontados com um sufrágio. Não é que tenhamos grande escolha já que, por norma, todos os proponentes baseiam as suas campanhas em promessas de construção. Porém, de que serve alguém ter um Ferrari se apenas está habilitado a conduzir motorizadas? Para quê ter o computador mais avançado se o nosso sistema operativo é o MS-DOS?
Há uma grande razão pela qual não se aposta verdadeiramente na educação: é que esta é perigosa para os políticos! A ignorância do povo é conveniente porque desta forma este é mais facilmente impressionável pelas obras de fachada do que um povo educado.
Se olharmos para os países Escandinavos, referências em termos de desenvolvimento, vemos que as Câmaras Municipais têm como principal prioridade a educação. Porque é que as elites do nosso país não fazem um esforço para adaptar este modelo? É difícil mas não é impossível!

domingo, 14 de julho de 2013

Assunção Esteves e a notícia do Tugaleaks – A emoção travestida de razão

Surgiu hoje (14/07/2013) na página do Facebook da “Tugaleaks” um artigo (http://www.tugaleaks.com/assuncao-esteves.html) sobre a presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, que demonstra o quanto as emoções podem perturbar a racionalidade que se exige a quem escreve para um grande número de leitores.
O artigo é escrito num tom completamente acusatório e tenho a certeza que quem o escreveu não parou um pouco para pensar, deixando-se entregar totalmente numa torrente de emoções.
No post do Facebook começa-se por dizer que a dita senhora “não é uma santa”. Eu pergunto: Quem é “santo”? Quem nunca errou? Certamente não há nem nunca houve ninguém cuja vida se pautasse por uma total observância dos mais elevados princípios morais… é tão óbvio que qualquer pessoa, pensando um pouco, chega a esta conclusão.
No artigo refere-se o facto de a senhora ter uma reforma devida ao período de 10 anos de trabalho no tribunal constitucional. Também se refere que recebe um ordenado astronómico. Isto é completamente verdade! Não existe nenhuma razão que justifique o facto de se pagarem reformas ao fim de tão poucos anos de trabalho. Também é revoltante ver pessoas ganharem tanto dinheiro à custa de todos nós. Mas eu pergunto: Que culpa é que a senhora tem de a lei ser como é? É a única nestas circunstâncias? Se nos oferecessem as mesmas condições, algum de nós recusaria?
Também se afirma que ela teve atropelou uma senhora numa passadeira. Mas isto não pode acontecer a qualquer pessoa? Até ao mais bem-intencionado dos seres?
Não estou a defender a Assunção Esteves pois para mim é tão boa como qualquer um dos restantes políticos… Acho até que esteve muito mal no episódio em que tratou os manifestantes que estavam na AR com uma ira vergonhosa para alguém que ocupa tal cargo. Porém, não consigo concordar com as pessoas que escrevem artigos cujo objetivo parece ser apenas exteriorizar a sua raiva em relação a alguém.
A indignação é algo muito positivo e é saudável que as pessoas a demonstrem por via da palavra, das manifestações e outros atos. Já o ódio não leva a lado nenhum. Quem odeia prova não ser melhor do que o destinatário do seu ódio.
Por isso eu lanço um repto: indignemo-nos, revoltemo-nos contra o atual sistema, deitemo-lo abaixo, restauremos a nossa autonomia e dignidade enquanto nação e criemos um Portugal melhor. Porém, não o façamos com base em rancores pessoais senão não faremos mais do que derrubar um sistema para implementar outro com pessoas diferentes mas igual em tudo o resto.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

A impostura das marcas

Recordo-me das aulas de marketing que tive ao longo do meu percurso académico… Uma das matérias que mais entusiasmavam os pupilos eram as marcas. Com efeito, elas dominam grande parte das nossas vidas: estão na internet, na rádio, na TV, nos jornais e agora até nos telemóveis e tablets. Têm a pretensão de ser ubíquas, uma presença constante na vida dos consumidores. Porém, nem sempre foi assim já que as marcas tiveram um nascimento bem mais modesto, vivendo durante muitos séculos sob a forma de pregões, semelhantes aos que podemos ouvir ainda hoje nas feiras e nas lotas.
Uma marca pode ser definida como um símbolo (visual ou auditivo) utilizado para identificar um empresa/produto e distingui-la(lo) das(os) demais. Contudo, a necessidade de distinção tornou-se numa psicose esquizofrénica em que a realidade se mescla com a ficção. A loucura tomou conta das marcas e contaminou a população!
“Loucura!?” – pode pensar o leitor. Será assim tão grave? Sim! Senão vejamos: muitas marcas prometem o que não podem nem nunca poderão cumprir. Vendem ilusões, enganam as pessoas e fazem-nas correr atrás de uma ideia de felicidade instantânea que nunca poderão atingir. Vejamos alguns exemplos:
Alguns refrigerantes prometem a felicidade a todos os que a consumirem. Mas, afinal, que raio é que uma bebida tem a ver com felicidade!? Há alguém que consiga vislumbrar uma ligação? No mínimo os consumidores frequentes de bebidas gaseificadas devem é rezar para não ganharem uma gastrite ou ulceras no estomago. Portanto, a ligação é absurda e enganadora.
Várias marcas de champôs vendem a ilusão da beleza. A ideia é a seguinte: lave o seu cabelo com o champô x, y ou z e será tão bonita quanto a modelo deste anúncio. Outro disparate: o champô da marca x não a deixa mais bonita do que o da marca y. A única função que esse produto tem é lavar o cabelo, tirar a sujidade. Não pode fazer mais do que isso, mesmo que unte o seu corpo todo de champô.
As marcas das instituições de crédito ao consumo vendem a ideias de liberdade e realização pessoal. Outra grande ilusão! Primeiro porque o crédito não o deixará mais livre, bem pelo contrário e segundo porque a realização pessoal nunca advém da posse de um qualquer bem material já que o prazer que tiramos do mesmo se esbate ao longo do tempo.
As marcas criam valor, mas é um valor falso! Quais são as diferenças entre uns ténis de uma qualquer marca de prestígio e os mesmos ténis sem marca? Nenhumas! E no entanto o preço não deixa de ser astronomicamente diferente.
Por muito amigáveis que nos possam parecer as marcas têm apenas um objetivo: escravizar o consumidor. Não podemos esperar que surja uma instituição ou alguém que nos diga como devemos fazer, em que marcas podemos confiar e quais aquelas em que não. Tem que ser cada um de nós a desafiar os seus preconceitos e ver o mundo tal qual ele é!

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Os genes definem a forma de um organismo?

A biologia molecular defende que a forma de um qualquer organismo está contida no seu DNA. Sendo assim, seria de esperar que neste momento em que tantos milhares de milhões de Euros foram gastos em investigação nesta área fosse possível encontrar alguns genes que determinassem a forma de uma qualquer estrutura corporal, como por ex. a forma do nariz (redondo, achatado, pontiagudo…). A verdade é que esses genes ainda não foram encontrados e talvez nem existam…
O biólogo Rupert Sheldrake no seu recente livro “The Science Delusion” dá o exemplo de uma alga unicelular chamada Acetabularia. Esta alga, que pode atingir os 10cm, é constituída por três partes principais: os rizinoides (uma espécie de raízes onde se encontra o núcleo da célula), o caule e o chapéu. O que esta alga tem de especial é o facto de caso lhe retiremos o núcleo e depois lhe cortemos o chapéu, ela consegue regenerar-se e formar um chapéu novo, mesmo na ausência de material genético.
Este facto é um autêntico quebra-cabeças para qualquer especialista em biologia molecular. Como é que se pode restaurar uma parte da alga sem o “livro de instruções”?
Rupert Sheldrake tem uma teoria para responder a este desafio, chama-se “teoria dos campos morfogenéticos”. Esta teoria advoga que todos os seres vivos são portadores de um campo virtual que determina a forma de qualquer ser vivo. Esse campo, que transcende a dimensão espacial, deriva dos campos de seres anteriores da mesma espécie e é reforçado com a reprodução das espécies, sendo um campo de uma espécie recente muito menos estável do ponto de vista morfológico do que um campo mais antigo. Isto não quer dizer que os genes não interfiram no processo morfológico, já que são responsáveis pela sintetização dos aminoácidos necessários para a formação de proteínas, quer dizer apenas que os genes são responsáveis pela criação dos blocos, mas não da forma como estes estão dispostos.
A teoria dos campos morfogenéticos também se aplica aos comportamentos e aos grupos. Rupert Sheldrake afirma no seu livro “A New Science of Life”, fundamentadamente, que por ex. o tempo que um conjunto de ratos demora a ultrapassar um determinado problema tende a diminuir com o passar do tempo, mesmo em experiências independentes realizadas em dois extremos distintos do planeta. Ou seja, caso um grupo de ratos seja confrontado com uma situação problemática na Austrália, demorará mais tempo a resolve-la do que outro conjunto de ratos que sejam confrontados com a mesma situação uma semana depois na Inglaterra.
A ciência, como tudo o resto, está em constante mudança, evolução. As verdades de ontem são os erros de hoje e quem sabe se as verdades de hoje não serão os erros de amanhã. Portanto eu encaro com satisfação os dissidentes, aqueles que pensam fora dos limites impostos pelas ortodoxias, que exploram florestas virgens e navegam por águas nunca d’antes navegadas.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Quem sou eu?

Não me defino. Por mais que busque, as palavras não são suficientes: são vagas, temporárias e carregam o selo da ilusão. Não posso dizer que sou forte e corajoso da mesma maneira que não afirmo ser fraco e medroso. Equiparo-me ao vento: umas vezes sopra para norte, outras sacode para sul… Lembro-me de ter sido aplaudido entusiasticamente da mesma forma que me lembro de ter sido humilhado publicamente. Afinal qual deles sou eu? O forte ou o fraco? O bom ou o mau? Já fui todos eles... e no entanto ninguém pode ser definido por uma antítese.
Como pode alguém ser, tal como diz o poeta, charco e luar refletido num charco ao mesmo tempo? O sublime e o horrendo simultaneamente?
Vejo por isso, que nenhum atributo me pode definir… Gosto de me ver como um espelho: reflete as mais variadas figuras, uma infinidade de formas, porém, a sua natureza não se confunde com os seus reflexos. A minha natureza é única, indizível, inefável e não tenho necessidade de a definir. Por isso não sei quem sou e, sinceramente, não estou interessado em saber!

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Base de dados de artigos sobre parapsicologia

Dean Radin, provavelmente o mais famoso de todos os investigadores na área da parapsicologia, disponibilizou uma base de dados com alguns artigos científicos sobre a temática.
São muitos artigos e não será fácil lê-los todos... de qualquer forma fica aqui o link caso surja algum interessado: http://www.deanradin.com/evidence/evidence.htm

sexta-feira, 3 de maio de 2013

O Fator Terceiro Homem - o segredo de quem enfrenta situações extremas

Imaginem uma situação de solidão e monotonia: estar só no cume de uma montanha, velejar o oceano, atravessar o deserto… nestas situações pode parecer que não há ninguém à nossa volta. Mas será mesmo assim?
Há quem afirme que não devido ao chamado fator terceiro homem. Este fator designa um fenómeno que ocorre, normalmente, a marinheiros solitários e a alpinistas e que se carateriza por uma sensação de estar acompanhado por uma presença (que pode ser simplesmente “sentida”, como pode manifestar-se concretamente ao nível sensorial – ser vista e/ou ouvida) que ajuda os indivíduos em situações difíceis.
O livro “O Fator Terceiro Homem” de John Geiger apresenta muitos casos de encontros com o “terceiro homem”, entre os quais o de Ernest Shackleton que é retratado nos parágrafos seguintes:
Em 1914 Shackleton partiu, juntamente com a sua tripulação, de quase três dezenas de homens, para a Antártida para realizar o feito de atravessar o continente gelado a pé. Porém, antes de lá chegar o seu navio, o Endurance, acabou por ficar preso no gelo do mar de Weddell. Depois de dez meses preso o navio foi abandonado pois estava a afundar-se.
As três dezenas de homens estavam agora no gelo juntamente com os seus mantimentos e botes salva-vidas que retiraram do navio, a milhares de quilómetros da povoação humana mais próxima. Decidiram então atravessar a pé o gelo até chegarem a um ponto onde seria possível meter os seus pequenos botes ao mar e tentar escapar da situação. Caminharam durante 15 meses e já em 1916 meteram-se ao mar. Nessa altura já estavam muito debilitados, quer física, quer moralmente. Após três dias no mar avistam a Ilha Elefante, uma ilha erma, onde ficou quase toda a tripulação. Shackleton e mais cinco tripulantes continuaram de bote rumo à Georgia do Sul (que ficava a mais de 1000 Km da Ilha Elefante) para lá tentarem obter um resgate para a restante tripulação.
A viagem até à Georgia do Sul foi extenuante: enfrentaram furacões, chuvas torrenciais, ondas altíssimas. Ao fim de 17 dias de grande luta pelas suas vidas conseguiram finalmente chegar ao seu destino. Porém a sua provação ainda não estava completa… para chegarem à estação baleeira de Stomness onde poderiam pedir ajuda tinham ainda de atravessar toda a ilha a pé por entre “duas cordilheiras com mais de uma dúzia de picos que passam os dois mil metros, todos rodeados por campos de gelo e vastos glaciares”. Apenas Shackleton e mais dois homens foram, os restantes ficaram a tomar conta do bote. Conseguiram atravessar e chegar a Stomness, onde encontraram a ajuda que precisavam, sendo que também foi enviado um barco que resgatou os membros da tripulação que estavam na Ilha Elefante.
Mais tarde Shackleton disse o seguinte: “Quando recordo esses dias, não tenho dúvida de que a Divina Providência nos guiou, não só naqueles campos de neve, mas pelo mar revolto que separava a Ilha Elefante do nosso local de chegada, na Geórgia do Sul. Sei que durante aquela longa e tortuosa caminhada de trinta e seis horas, por montanhas sem nome e glaciares da Geórgia do Sul, me pareceu muitas vezes que éramos quatro e não três”.
De facto, também os outros dois homens que acompanharam Shackleton na sua caminhada na Geórgia do Sul relataram independentemente ter sentido uma presença de outro ser.
Este tipo de experiências é muito frequente em pessoas quando estão presentes os seguintes fatores: monotonia, solidão, stress extremo e vontade de ultrapassar os problemas. É muito interessante que a terceira pessoa para além de reconfortar psicologicamente as pessoas em situações extremas, dá-lhes conselhos sobre como ultrapassar os problemas que as apoquentam.
Há várias explicações para este fenómeno, umas de ordem neurológica, outras de ordem psicológica e ainda as explicações sobrenaturais/espirituais.
Independentemente da perspetiva que se toma acerca do fator terceiro homem, a grande lição a retirar é que nas situações de maior sofrimento existe a possibilidade de um terceiro homem caminhar ao nosso lado e nos ajudar a ultrapassar as dificuldades. Pelo que parece não estamos sozinhos!